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Cantá . Cantá seja lá cumu fô Si a dô fô mais grandi qui o peito Cantá bem mais forte qui a dô
Cantá pru mor da aligria Tomém pru mor da triteza, Cantano é qui a natureza Insina os ome a cantá
Cantá sintino sodade Qui dexa as marca di verga Di arguém qui os óio num vê I o coração inda inxerga
Cantá coieno as coieta Ou qui nem bigorna no maio Qui canto bão de iscuitá É o som na minhã di trabaio
Cantá cumu quem dinuncia A pió injustiça da vida: A fomi i as panela vazia Nus lá qui num tem mais cumida
Cantá nossa vida i a roça Nas quar germina as semente, As qui dão fruto na terra I as qui dão fruto na gente
Cantá as caboca cum jeito, Cum viola i catiguria Si elas cantá nu seu peito Num tem cantá qui alivia
Cantá pru mor dispertá U amor qui bati i consola Pontiano dentro da gente Um coração di viola
Cantá cum muitos amigos Qui a vida canta mio É im bando qui os passarim Cantano disperta o só
Cantá, cantá sempri mais: Di tardi, di noiti i di dia Cantá, cantá qui a paiz Carece de mais cantoria
Cantá seja lá cumu fô Si a dô fô mais grandi qui o peito, Cantá bem mais forti qui a dô.
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Minas da Lua . A lua nasce do ventre de Minas Entre colinas e quaresmais E eu ponteio a viola enfeitada De fita encarnada Pra lua escutar Também as serras de Minas são belas E são tão altas que de cima delas Deus olha a terra E a lua que banha as belezas Gerais E com certeza o céu e o chão Daquele sertão Que e Minas de lá E as estrelas no céu são boiadas Que de madrugada Repastam a paz De noite Minas se enfeita de prata Se está no cio, se deita na mata E então beija o céu Fica prenhe de lua, de luz de luar.
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Amanhecidos . Os homens do coração amanhecido Emanam uma luz do peito E por ela se deixam guiar. Os seus passos são constantes, Mesmo assim caem, Mas quando caem se levantam. Em algumas ocasiões São maltrapilhos; Em outras, usam gravata. Enfrentam filas de ônibus Ou andam de carro. Os homens do coração amanhecido São calmos e não elevam a voz: Mais escutam do que falam. E agem, anônimos. Às vezes, Pedem com os olhos. Outras vezes, Com os olhos, se dão. Choram, Sonham E amam. Sobretudo, amam. Os homens do coração amanhecido Andam pelas ruas, Mas ninguém os vê.
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Poema de Mim . Minha história é esculpida em pedra e pensa. Pulsa a cada entalhe do cinzel. A lógica é a linha que lhe define o semblante Entre a noite e os detalhes embrutecidos que respiram. O todo não inspira encantamento de fadas Mas sonha o sonho que a realidade exige. Viva, dói. Tocada, machuca. Sentida, aquece. Assenta-se em contínua mutação. Fogo, água e sempre. Desprovida de pedestal, sorri descalça. Não se contém em redomas de além, aquém ou aqui. Anda e ama.
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Amant - ty – kir . Água doce Transformou-se Em água amarga Numa lágrima Que guarda A dor estranha Das entranhas Das montanhas Das gerais No princípio foi um fio Foi riacho, depois rio Que cresceu e fez-se mar E a terra machucada Chora a vida desmatada Que um dia irá secar. Pelos filhos chora a terra E essa dor descendo a serra Faz o vale fecundar Dos extintos Coroados Índios hoje exterminados, Veio o nome que vigora Nós herdamos dos Puris A Mantiqueira, Aman- ty- kir, Ou a "montanha que chora" Água doce Transformou-se Em água amarga, Numa lágrima Que guarda A dor estranha Das entranhas Das montanhas Das gerais.
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