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Trecho do Poema “O sol e a Lua” . “... Nosso Sinhô quando andava pulos deserto, a rezar, gostava de uví São Pedro na viola puntiá!
São Pedro diz que a viola foi feita, num desafio, da canoa em que ele andava cum Cristo, a pescá no rio!
Não foi feita da canoa, mas porém, da sua cruz! A viola ainda sofre tudo o que sofreu Jesus!
Quando Deus fez a viola e cumeçou a cantá, a vióla gemia tanto, que Deus se pôs-se a chorá!
Deus é o Rei dos violêro, quando canta o seu amô, nas corda santa da lua, que é a viola do Sinhô! ...”
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Luar do Sertão (Letra Completa) . Oh que saudade do luar da minha terra, Lá na serra branquejando, Folhas secas pelo chão, Esse luar cá da cidade, tão escuro, Não tem aquela saudade, Do luar lá do sertão.
“Não há, ó gente, oh não, Luar, como este do sertão.”
Se a lua nasce por detrás, da verde mata, Mais parece um sol de prata, Prateando a solidão, E a gente pega na viola que ponteia, E a canção é a lua cheia, A nos nascer no coração.
Estribilho
Quando vermelha, no sertão desponta a lua, Dentro d'alma, onde flutua, Também rubra, nasce a dor, E a lua sobe... E o sangue muda em claridade ! E a nossa dor muda em saudade... Branca, assim, da mesma cor !!!
Estribilho
Ai !... Quem me dera, que eu morresse lá na serra, Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez ! Ser enterrado numa grota pequenina, Onde à tarde a surunina, Chora sua viuvez.
Estribilho
Diz uma trova, Que o sertão todo conhece, Que se à noite o céu floresce, Nos encanta e nos seduz, É porque rouba dos sertões as flores belas, Com que faz essas estrelas, Lá do seu jardim de luz !!!
Estribilho
Mas como é lindo ver depois, Por entre o mato, Deslizar, calmo o regato, Transparente como um véu, No leito azul das suas águas, murmurando, Ir, por sua vez roubando, As estrelas lá do céu !!!
Estribilho
A gente fria desta terra sem poesia, Não se importa com esta lua, Nem faz caso do luar, Enquanto a onça, lá na verde capoeira, Leva uma hora inteira, Vendo a lua a meditar.
Estribilho
Coisa mais bela neste mundo não existe, Do que ouvir um galo triste, No sertão, se faz luar, Parece até que a alma da lua é que descanta, Escondida na garganta, Desse galo a soluçar !!!
Estribilho
Se Deus me ouvisse, com amor e caridade, Me faria esta vontade, -O ideal do coração ! Era que a morte, A descantar, me surpreendesse, e eu morresse Numa noite de luar, no meu sertão !
Estribilho
E quando a lua surge em noites estreladas, Nessas noites enluaradas, em divina aparição Deus faz cantar o coração da natureza, Para ver toda a beleza do luar do Maranhão !
Estribilho
Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia, -A do meu sertão, do meu sertão primaveril, Disse aos arcanjos que era o hino da poesia, E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil !
Estribilho
Pois só nas noites do sertão de lua plena, Quando a lua é uma açucena, É uma flor primaveril, É que o poeta, descantado a noite inteira, Vê na lua brasileira toda a alma do Brasil.
Estribilho
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